Shadows over Kheldrivver
Ilumino-me de esperança para que nunca alguém leia essas palavras.
Eu suponho que aprendi a verdade no dia após ontem. Mas tudo começou algumas semanas antes disso. Com todo discernimento e inteligência que me foi passado pelo meu mentor, sua santidade Alto Senhor do Conhecimento Aidan, não pude prever o inesperado, o desconhecido, e temi, diante da ignorância e do desconhecimento. Perdoe-me, ó Grande Senhor de tudo que é conhecido, falhei diante da dúvida, e agora me vejo tendo que redimir-me de meu erro. O erro da hesitação pelo medo do desconhecido, corrói minha alma, atormentando-me e alimentando uma culpa na possível perda de um amigo, um filho.
Ilumino-me de esperança para que nunca alguém leia essas palavras.Eu suponho que aprendi a verdade no dia após ontem. Mas tudo começou algumas semanas antes disso. Com todo discernimento e inteligência que me foi passado pelo meu mentor, sua santidade Alto Senhor do Conhecimento Aidan, não pude prever o inesperado, o desconhecido, e temi, diante da ignorância e do desconhecimento. Perdoe-me, ó Grande Senhor de tudo que é conhecido, falhei diante da dúvida, e agora me vejo tendo que redimir-me de meu erro. O erro da hesitação pelo medo do desconhecido, corrói minha alma, atormentando-me e alimentando uma culpa na possível perda de um amigo, um filho.
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Quando cheguei a Kheldrivver, cerca de 10 anos atrás, Phelsan era um menino, desfrutava sua primeira década e transparecia entusiasmo e jovialidade. Sua ansiedade por conhecimento me fascinava e contagiava, me deixando empolgado com meu primeiro acólito. O criei desde seus primeiros anos, quando o tirei das ruas de Portão de Baldur. E passei a tratá-lo como um filho.Kheldrivver. Ali foi onde vi minha maior oportunidade de iluminação, reconstruir a biblioteca da Casa do Livreiro, não seria apenas uma honra, mas um imenso prazer. Lugar perfeito para criar e educar Phelsan, que com a certeza de Hoar, se tornaria um grande homem, um grande sacerdote.
Lembro-me como se fosse hoje. O cair das folhas em Marphenoth deixava Kheldrivver num clima bucólico, a estrada recém trilhada, indicava um futuro caminho usado por mercadores, o céu, cinza como a pedra, aumentava a felicidade de ter finalmente chegado ao destino após uma longa viagem. Esta que veio de grande alivio, quando após o Ano das Sombras, decidimos deixar Portão de Baldur, e toda a desgraça que aconteceu naquele ano.
Enquanto eu e Phelsan entravamos pelos portões de madeira, ainda em construção, já avistávamos o lindo monastério, A Casa do Livreiro. Sua mistura de pedra com barro lembrava a coloração de um pergaminho, sua arquitetura simples, realçava a humildade de seus seguidores e a força de suas mentes, lugar perfeito para escribas e buscadores de conhecimento, sem nenhum desperdício ou exagero. Ao fundo do monastério, descansava uma linda capela de pedra cinza, com trepadeira por toda sua parede, vitros com mosaicos de Deneir e Oghma e uma pequena torre que guardava o sino de cerimônia. Capela da Pena; a ela devo os melhores anos de minha vida.
O monastério estava em reconstrução, aos poucos, voltando a funcionar. Na época ele servia com muita competência toda a comunidade de Kheldrivver. Casa de Oghma, Oficina de Deneir, agora com imensa felicidade, poderia chamá-la de lar. Sem dúvida nenhuma, uma das visões mais memoráveis de minha vida, talvez perca somente para o Forte da Vela e a primeira e única vez em que visitei a Cidade dos Esplendores. Mas creio que hoje, ela seja a memória que mais me vem à cabeça.
Em uma semana, já estávamos mais do que adaptado. Santíssimo Alto Senhor do Conhecimento Tessen, já havia nos abençoado e logo começamos a nossa doutrina na pequena comunidade. Essa crescia a cada instante, junto com um imenso anseio dentro de Phelsan, por um futuro próspero.
Por diversas estações, aventureiros vinham a Kheldrivver buscando se aventurar pelas lendas antigas, tolos querendo pilhar tesouros que nunca entenderão seu valor. Imagino a cara de decepção daqueles que buscam ouro e encontram livros, mal sabem eles que esse é a verdadeira riqueza.
Há tempos atrás o local foi ocupado por trolls, e o monastério saqueado e pilhado, livros queimados. Alguns livros dizem que os trolls chegaram pelo subterrâneo, mas hoje não creio nisso, tampouco concordo com aqueles que escreveram sobre as lendas dos túneis e o que poderia conter neles de fato, relatos de pessoas que nunca desceram lá, que nunca realmente souberam da verdade. Apenas espalhavam rumores sem sentido para agradar aventureiros a fim de conquistas vazias.
Lendas antigas; não sei o que tanta gente vê em um porão com túneis secretos de uma biblioteca, e outros túneis feitos por trolls. Assim sempre pensei, e talvez por isso nunca realmente tenha entendido o porquê algumas escrituras não foram recuperadas, ou por que o grande fundador da comunidade desapareceu nestes mesmos túneis, que hoje, me causam dor. Hoje, entendo porque eles foram fechados e selados. Selo feito pelo único arcano que já viveu em Kheldrivver, Carthalas, que nunca opinou sobre o conteúdo dos mesmos e que hoje descansa ao lado de Azuth.
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Alto Mestre Tessem decidiu fechar os túneis do monastério de vez, concluindo que os textos secretos daquele local, não eram mais para serem encontrados. Quanto à capela, a entrada para o porão foi selada por Carthalas, em segredo, o arcano deixou três pergaminhos capazes de abri-la. Um foi dado ao Alto Mestre Tessem, outro ao responsável pela capela, que na época era o meu eterno amigo Mylon e o terceiro ficou com o próprio Carthalas. Alto Mestre Tessem ainda tinha esperança de recuperar as escriturar que estavam perdidas nesses túneis, mas estávamos à deriva do tempo ou de Tymora, que um dia iria trazer alguém que fosse capaz de descer e retornar.
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No ano de 1367, alto verão, Mylon recebeu uma serie de missões especiais, com objetivo de encontrar alguém para recuperar tais escrituras, logo a capela precisava de um novo sacerdote. Santíssimo Alto Mestre do Conhecimento Tessem, após uma reunião dos 15 sacerdotes e 32 acólitos que habitavam a Casa do Livreiro, incumbiu-me de tal adorável tarefa. Com imenso orgulho e felicidade, aceitei, e passei a viver na Capela da Pena, onde escrevi meus melhores livros e vivi memoráveis momentos. Oghma sorria para mim, e eu deveria com todo meu valor, recompensa-lo e me tornar um dia, um Alto Mestre do Conhecimento, assim como meu mentor, santíssimo Alto Mestre do Conhecimento Aidan.Estar na Capela da Pena, era o mais próximo que conseguia me sentir da Casa do Conhecimento, sua importância era máxima na comunidade, e logo, me tornei o padre mais procurado de Kheldrivver. Alto Mestre Tessem, passou o pergaminho que foi dado a Mylon para mim, ele deveria ficar com o “Guardião da Capela”, como Carthalas titulou o portador de tal escritura. Mas a verdade é que sempre me mantive afastado desses assuntos, nunca tive medo, de fato, daquela portinhola no chão, mesmo com o vento gélido que passava por suas frestas. Afastado desse assunto, me mantive o máximo que pude, e me ocupei com minhas obrigações. Talvez eu tenha sido um mal seguidor nesse sentido, deveria ter estudado aquilo que não conhecia, e hoje vejo que temia esse assunto porque, em certo nível, sabia que era a única coisa que podia atrapalhar minha felicidade aqui, nas colinas trolls. Mas isso não mudava o fato que aquela entrada pro porão, também era minha obrigação.
Minhas outras obrigações eram abrangentes, fazia missas, sermões, casamentos, rituais de purificação e passagem, alfabetização e ainda cuidava das necessidades da capela. Tarefas que Phelsan, muitas vezes, me substituir com uma fenomenal competência, ele que se tornara um belo sacerdote do conhecimento, e principalmente, além de pupilo e filho, havia se tornado um amigo.
Phelsan havia adquirido varias características diferentes de mim. Eclético, versátil, aventureiro, sempre vi em seus olhos largo interesse pelas lendas e pelo porão, mas acho que por respeito a minha postura, ele nuca estudou o assunto. Porém, estudou uma paixão que nunca entenderei: A virtuosa arte arcana. Desde pequeno sempre se fascinou com Carthalas, e quando o mesmo faleceu, no inverno de 64, Phelsan se entristeceu por completo, acho que ele tinha esperanças de um dia vir a aprender algo com ele. Bom, ao menos lhe demos um rito de passagem dos mais belos que já presenciei, com direito a menestrel de Berdusk e coral do Forte da Vela. Carthalas foi enterrado no topo da colina, num local sagrado, onde o mal não cresce.
Assim era nossa vida, normal, em nosso santuário, uma rotina fantástica, com a efeminação de todos os deuses.
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A verdade é algo que o mortal não pode se distanciar. Principalmente fechar os olhos para ela. Assim vivi, fingindo que uma de minhas maiores obrigações não existia, ignorando totalmente o fato, de que um dia, algo poderia acontecer, me convencendo a não saber o que existia embaixo de meu lar, do lar de Oghma. Perdoe-me ó Deus Sábio, lhe suplico força e coragem para redimir-me de meu erro, faça que meus olhos enxerguem a verdade de trás das sombras, faça com que eles encontrem Phelsan... vivo.* * * * *
De fato, a ignorância de minha atitude, culminou quando o santíssimo Alto Mestre do Conhecimento Tessen, no fimdo Inverno de 1369, entrou pela porta da capela com um homem ao seu lado, um arcano. Enviado por Mylon, chegava o homem que iria revelar o assunto que deixei de lado. Farlack, sujeito único, singular. Exótico como a maioria dos arcanos, ele vestia um robe enorme tingido de preto, verde musgo e azul marinho com adornos dourados e uma capa, aparentemente de pele de cabra, tingida em púrpura, que o protegia do frio. Carregava um cajado feito de marfim com um jade no topo, diversos anéis nos dedos, um colar muito grande dourado, com um estranho símbolo solar no centro. Um típico Chodathan, pele branca, magro, meia altura, cabelos e olhos pretos. Rosto fino, cabelo um pouco revolto curto, com um pequeno cavanhaque, voz macia e precisa. Um homem seguro, e de poucas palavras, Mestre Tessen deu total autonomia a ele. Farlack estudou há capela por 2 dias antes de descer. Seus objetivos pessoais eu desconheço, aliás, as únicas coisas que soube sobre ele, é que era seguidor da Senhora da Arte e que tinha chegado a Kheldrivver sem transporte, caravana e equipamentos, carregava apenas algumas bolsas. Mestre Tessen havia incumbido ele de retornar com as escrituras e deu a ele o antigo pergaminho de Carthalas. Phelsan conversou algumas vezes com Farlack, interessado em seus, aparentes, fortes poderes arcanos, mas o arcano estava bastante focado em seu trabalho e apenas conversou amenidades com o jovem sacerdote. Lembro-me dele ter falado sobre ovelhas e que já teve uma criação de sapos. No dia 23 de Ches do Ano da Manopla, Farlack quebrou o lacre, e desceu ao porão, entrando nas sombras sem nenhuma iluminação. Farlack nunca retornou.
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Estações se passaram, e agora, vendo as portas do outono, minha estação favorita nessas terras, me sinto totalmente envolto por essa história, pelos meus erros, e pela serie de fatos que começaram a acontecer na Capela da Pena. Eleint esse ano, não trouxe apenas a chegada do outono, trouxe também, toda a minha irresponsabilidade como sacerdote, mentor e pai.* * * * *
O santíssimo Alto Mestre do Conhecimento Tessen, adoeceu, um pouco antes do festival de verão. Excêntrico como sempre foi, não permitiu que nenhum clérigo o visse, e ficou aos cuidados de um parente seu que acabara de chegar, seu primo Olaf. O mesmo informou que o alto sacerdote haveria pedido para que ninguém interferisse em sua saúde e que ele seria seu porta-voz durante esse tempo.* * * * *
Ao cair da noite, no inicio do desvanecer, eu e Phelsan jantávamos na Capela, e conversávamos sobre as decisões do Abade Tharlas sobre a relação do monastério com a comunidade. Phelsan, então, começou a puxar assunto sobre o porão. Ele quase nunca fazia isso porque sabia que eu ficava irritado. Mas o vi assustado:“Senhor Marcus” disse Phelsan. “Devo lhe contar algo. Ontem após limpar o altar, vi a luz do crepúsculo bater sobre o vitro do Senhor Deneir, e fez aparecer um estranho vulto, partindo de um dos bancos para a fonte de água benta. Por hora achei que fosse algum garoto, que havia ficado após a missa, querendo me pregar uma peça. Mas quando cheguei ao local não havia nada.”
“Sua imaginação sempre foi fértil Phelsan” respondi.
“Sim, eu sei, mas desta vez foi diferente, o vulto pareceu vir do vitro, foi muito rápido.” Seus olhos se arregalaram com ênfase em suas palavras.
“Realmente a combinação de luz e sombra e verdadeiramente uma arte, totalmente aleatória.” Disse eu, com a certeza que Pheslan, estava a tempos procurando uma desculpa para investigar o porão.
“Mas senhor, o vulto se mexeu, muito rápido.” Continuava o jovem sacerdote com euforia.
“Primeiro achei que alguém estava atrás do vitro, depois achei que estava dentro.”
“Talvez algo estivesse atrás da janela, e com o movimento a sombra se projetou para dentro, como um pássaro, por exemplo.” Respondia já com um tom meio irritado.
“Mas eu fui até o lado de fora, e não havia nada.” Insistiu Pheslan.
Então eu dei o ultimo gole no meu copo de vinho, terminei meu pão e disse: “Bom, então definitivamente era apenas a luz do por do sol, contrastando com os dois vitros opostos.” Finalizando o assunto conclui. “Agora chega desse assunto, esta na hora de nos deitarmos, amanha temos um longo dia, cheio de compromissos.”
Ambos fomos aos nossos aposentos dormir. Phelsan podia ter espírito aventureiro, espirituoso e confrontador, mas tinha virtudes muito bem definidas como respeito e obediência.
* * * * *
Dois dias passaram e Phelsan não disse nada mais sobre os vitros. Ele estava quieto, e lento com suas obrigações. Eu sabia que tinha que conversar com ele, mas eu estava muito ocupado... Na noite desse mesmo dia, após termos nos recolhidos, eu ouvi um estranho barulho. Eu ainda não havia dormido, pois estava lendo em minha cama quando ouvi um ruído, como se um pedestal tivesse atingido o chão rochoso. Coloquei o marca-páginas no livro, levantei-me, peguei minha lanterna, e fui até a sacristia. Quando caminhava pela Capela ouvi um outro barulho, dessa vez parecia vir do lado de fora, porém era uma barulho diferente, talvez alguém estivesse batendo na porta. Fui até ela, e não havia ninguém, os pedestais estavam no lugar que lhes cabia, me tranqüilizei, e quando me preparava para voltar à cama o som veio de novo. Algo parecia arranhar as paredes rochosas da Capela, e de pronto, parou. Rapidamente, segurei meu símbolo de Oghma, fui ate os aposentos de Pheslan e o acordei:“Pegue uma luz” recomendei com um sussurro.
“O que foi?” respondeu o sacerdote sonado.
“Pegue uma luz”
Fomos até a sacristia novamente, olhamos ambos os vitros, Pheslan segurava uma vela, que enquanto derretia queimava sua mão com a cera que caia. Não vimos nada de incomum. Phelsan assustado, perguntou novamente:
“O que foi? Por favor, senhor, me conte.”
“Pensei ter visto algo” Eu disse com cuidado – dando uma olhada ao meu redor.
“No vitro?” Perguntou Phelsan com um dos sussurros mais altos que já ouvi.
“Acho que sim” retruquei. Olhei para Phelsan, vi seus olhos cheios de perguntas.
“Eu não tenho a menor idéia meu filho.” Coloquei a mão em seu ombro, dei uma última olhada em volta e caminhei Phelsan até nossos aposentos.
“Oghma nos preservará, nada de mau pode acontecer em sua casa.” Eu disse. “Podemos não entender, mas sabemos que ele entende, porque nenhum segredo lhe é escondido. Além do mais, enquanto os suspiros da noite são bastante amedontradores, a luz da manhã sempre bane o medo que eles trazem.” Pheslan sorriu e voltou a sua cama, logo após isso eu fiz o mesmo.
Na manhã seguinte eu pratiquei quase todos os rituais de purificação e banimento que conheço, praticamente renovei toda a capela, e pedi ao Abade Tharlas, além de reportar o acontecido, que me cedesse um guarda para ficar rondando a Capela durante a noite. O resto da tarde, eu passei cumprindo minhas obrigações. Quando a noite caiu, fui me deitar, mas logicamente, o sono não veio. Como na noite anterior o vento vinha do norte, eventualmente fazendo barulhos quando passava pelos grilhões que existem nos muros de madeira. Um pouco assustado, decidi ir até a sacristia para dar uma olhada nos vitros. Peguei minha lanterna e fui até a porta da capela.
Nervoso e atento, eu olhava para todos os lados, sem nenhum sono passei alguns minutos na abadia da capela apenas observando a luz de Selune que entrava pelos vitros, quando de repente, uma sombra passou por de traz do mesmo. Só que dessa vez tinha sido pelo vitro de Oghma. A Sombra era grande suficiente para ser um humano, imediatamente pensei que poderia ser o guarda, então rapidamente sai e fui observar.
O lado de fora estava estranhamente quieto, a luz de Selune, cheia, oscilava com as inúmeras nuvens que passavam sobre ela. Não encontrei o guarda e achei que ele podia ter fugido de seu dever, e ido até a Estalagem do Nariz do Troll. Irritado, e já insatisfeito com o meu medo sem nenhum fundamento ou fato, eu andei em direção a Capela. Então eu ouvi um grito. Eu corri pra dentro do santuário, a luz da minha lâmpada quase se apagara com o vendo do ar gélido que pairava sobre a noite. Olhei diretamente pra dentro da abadia e gritei:
“Phelsan.” Sabia que o grito era dele. Minha voz era engolida pela escuridão vazia do local. Como eu me tornei tão medroso de meu próprio santuário, meu lar.
“Phelsan, menino, onde está você?” Nenhuma resposta veio.
Olhei diretamente para os vitros, a nuvem passando por Selune junto com meu nervosismo e medo, não me permitiam diferenciar real do imaginário, não sei se o que vi foi um vulto ou uma sombra.
Sai novamente e corri em direção ao estábulo do monastério, gritava em desespero.
“Phelsan, Phelsan, Guardas, Guardas.” Ninguém respondia. Chegando ao estábulo encontrei o cocheiro Jonh, pedi que ele chamasse os guardas e corri de volta a Capela. Suplicava a Oghma por ajuda.
Entrando novamente no santuário, com meu corpo tremendo e suando numa noite fria, fui direto até a porta do porão, sabia que a curiosidade de Phelsan podia ser maior que sua obediência, mas ao mesmo tempo, não imaginava que ele estaria ali, pois o lacre não havia sido quebrado. Mas foi ai que me surpreendi. A porta para o sótão estava aberta, mas não havia iluminação no porão. Retornei a meus aposentos, e fiquei por um momento indeciso. Foi quando decidi. Iria descer e ir atrás de meu filho.
Então, comecei a escrever essa missiva. Estranhamente acho que os guardas estão demorando muito. Temo que algo tenha acontecido a Jonh. Mas eu não tenho mais tempo, cedo ou tarde alguém chegará aqui, então terei tudo por escrito. O que me deixa livre para ir atrás de meu filho.
Nessas poucas folhas de pergaminho eu coloquei a minha história. Agora que terminei, me preparo para descobrir o que há embaixo do porão. Agora sei que a verdade, é que de fato, existe algo a ser descoberto lá em baixo e algo que deve ser trazido de volta; Phelsan.
Com minha maça em punho, lanterna guiando meus olhos e símbolo sagrado em meu torso, lhe imploro; ó Senhor de tudo que é conhecido, proteja-me do mau, e ilumine meu caminho.
Eu estou pronto...



