domingo, 28 de junho de 2009

Time Travel - Parte 2

Shadows over Kheldrivver


Ilumino-me de esperança para que nunca alguém leia essas palavras.

Eu suponho que aprendi a verdade no dia após ontem. Mas tudo começ
ou algumas semanas antes disso. Com todo discernimento e inteligência que me foi passado pelo meu mentor, sua santidade Alto Senhor do Conhecimento Aidan, não pude prever o inesperado, o desconhecido, e temi, diante da ignorância e do desconhecimento. Perdoe-me, ó Grande Senhor de tudo que é conhecido, falhei diante da dúvida, e agora me vejo tendo que redimir-me de meu erro. O erro da hesitação pelo medo do desconhecido, corrói minha alma, atormentando-me e alimentando uma culpa na possível perda de um amigo, um filho.

* * * * *

Quando cheguei a Kheldrivver, cerca de 10 anos atrás, Phelsan era um menino, desfrutava sua primeira década e transparecia entusiasmo e jovialidade. Sua ansiedade por conhecimento me fascinava e contagiava, me deixando empolgado com meu primeiro acólito. O criei desde seus primeiros anos, quando o tirei das ruas de Portão de Baldur. E passei a tratá-lo como um filho.

Kheldrivver. Ali foi onde vi minha maior oportunidade de iluminação, reconstruir a biblioteca da Casa do Livreiro, não seria apenas uma honra, mas um imenso prazer. Lugar perfeito para criar e educar Phelsan, que com a certeza de Hoar, se tornaria um grande homem, um grande sacerdote.

Lembro-me como se fosse hoje. O cair das folhas em Marphenoth deixava Kheldrivver num clima bucólico, a estrada recém trilhada, indicava um futuro caminho usado por mercadores, o céu, cinza como a pedra, aumentava a felicidade de ter finalmente chegado ao destino após uma longa viagem. Esta que veio de grande alivio, quando após o Ano das Sombras, decidimos deixar Portão de Baldur, e toda a desgraça que aconteceu naquele ano.

Enquanto eu e Phelsan entravamos pelos portões de madeira, ainda em construção, já avistávamos o lindo monastério, A Casa do Livreiro. Sua mistura de pedra com barro lembrava a coloração de um pergaminho, sua arquitetura simples, realçava a humildade de seus seguidores e a força de suas mentes, lugar perfeito para escribas e buscadores de conhecimento, sem nenhum desperdício ou exagero. Ao fundo do monastério, descansava uma linda capela de pedra cinza, com trepadeira por toda sua parede, vitros com mosaicos de Deneir e Oghma e uma pequena torre que guardava o sino de cerimônia. Capela da Pena; a ela devo os melhores anos de minha vida.


O monastério estava em reconstrução, aos poucos, voltando a funcionar. Na época ele servia com muita competência toda a comunidade de Kheldrivver. Casa de Oghma, Oficina de Deneir, agora com imensa felicidade, poderia chamá-la de lar. Sem dúvida nenhuma, uma das visões mais memoráveis de minha vida, talvez perca somente para o Forte da Vela e a primeira e única vez em que visitei a Cidade dos Esplendores. Mas creio que hoje, ela seja a memória que mais me vem à cabeça.


Em uma semana, já estávamos mais do que adaptado. Santíssimo Alto Senhor do Conhecimento Tessen, já havia nos abençoado e logo começamos a nossa doutrina na pequena comunidade. Essa crescia a cada instante, junto com um imenso anseio dentro de Phelsan, por um futuro próspero.


Por diversas estações, aventureiros vinham a Kheldrivver buscando se aventurar pelas lendas antigas, tolos querendo pilhar tesouros que nunca entenderão seu valor. Imagino a cara de decepção daqueles que buscam ouro e encontram livros, mal sabem eles que esse é a verdadeira riqueza.


Há tempos atrás o local foi ocupado por trolls, e o monastério saqueado e pilhado, livros queimados. Alguns livros dizem que os trolls chegaram pelo subterrâneo, mas hoje não creio nisso, tampouco concordo com aqueles que escreveram sobre as lendas dos túneis e o que poderia conter neles de fato, relatos de pessoas que nunca desceram lá, que nunca realmente souberam da verdade. Apenas espalhavam rumores sem sentido para agradar aventureiros a fim de conquistas vazias.


Lendas antigas; não sei o que tanta gente vê em um porão com túneis secretos de uma biblioteca, e outros túneis feitos por trolls. Assim sempre pensei, e talvez por isso nunca realmente tenha entendido o porquê algumas escrituras não foram recuperadas, ou por que o grande fundador da comunidade desapareceu nestes mesmos túneis, que hoje, me causam dor. Hoje, entendo porque eles foram fechados e selados. Selo feito pelo único arcano que já viveu em Kheldrivver, Carthalas, que nunca opinou sobre o conteúdo dos mesmos e que hoje descansa ao lado de Azuth.

* * * * *


Anos passaram, e a comunidade virou um centro de comercio barato, onde caravanas passavam a fim de comprar alimentos a baixo custo e revende-los mais caros nas grandes cidades. A Casa do Livreiro estava florescendo, sua biblioteca já estava ficando bastante interessante, recebendo varias doações ao longo dos anos. O numero de aventureiros foi diminuindo, principalmente quando o monastério foi separado da comunidade, e a entrada no mesmo passou a ser restrita.

Alto Mestre Tessem decidiu fechar os túneis do monastério de vez, concluindo que os textos secretos daquele local, não eram mais para serem encontrados. Quanto à capela, a entrada para o porão foi selada por Carthalas, em segredo, o arcano deixou três pergaminhos capazes de abri-la. Um foi dado ao Alto Mestre Tessem, outro ao responsável pela capela, que na época era o meu eterno amigo Mylon e o terceiro ficou com o próprio Carthalas. Alto Mestre Tessem ainda tinha esperança de recuperar as escriturar que estavam perdidas nesses túneis, mas estávamos à deriva do tempo ou de Tymora, que um dia iria trazer alguém que fosse capaz de descer e retornar.

* * * * *

No ano de 1367, alto verão, Mylon recebeu uma serie de missões especiais, com objetivo de encontrar alguém para recuperar tais escrituras, logo a capela precisava de um novo sacerdote. Santíssimo Alto Mestre do Conhecimento Tessem, após uma reunião dos 15 sacerdotes e 32 acólitos que habitavam a Casa do Livreiro, incumbiu-me de tal adorável tarefa. Com imenso orgulho e felicidade, aceitei, e passei a viver na Capela da Pena, onde escrevi meus melhores livros e vivi memoráveis momentos. Oghma sorria para mim, e eu deveria com todo meu valor, recompensa-lo e me tornar um dia, um Alto Mestre do Conhecimento, assim como meu mentor, santíssimo Alto Mestre do Conhecimento Aidan.

Estar na Capela da Pena, era o mais próximo que conseguia me sentir da Casa do Conhecimento, sua importância era máxima na comunidade, e logo, me tornei o padre mais procurado de Kheldrivver. Alto Mestre Tessem, passou o pergaminho que foi dado a Mylon para mim, ele deveria ficar com o “Guardião da Capela”, como Carthalas titulou o portador de tal escritura. Mas a verdade é que sempre me mantive afastado desses assuntos, nunca tive medo, de fato, daquela portinhola no chão, mesmo com o vento gélido que passava por suas frestas. Afastado desse assunto, me mantive o máximo que pude, e me ocupei com minhas obrigações. Talvez eu tenha sido um mal seguidor nesse sentido, deveria ter estudado aquilo que não conhecia, e hoje vejo que temia esse assunto porque, em certo nível, sabia que era a única coisa que podia atrapalhar minha felicidade aqui, nas colinas trolls. Mas isso não mudava o fato que aquela entrada pro porão, também era minha obrigação.


Minhas outras obrigações eram abrangentes, fazia missas, sermões, casamentos, rituais de purificação e passagem, alfabetização e ainda cuidava das necessidades da capela. Tarefas que Phelsan, muitas vezes, me substituir com uma fenomenal competência, ele que se tornara um belo sacerdote do conhecimento, e principalmente, além de pupilo e filho, havia se tornado um amigo.


Phelsan havia adquirido varias características diferentes de mim. Eclético, versátil, aventureiro, sempre vi em seus olhos largo interesse pelas lendas e pelo porão, mas acho que por respeito a minha postura, ele nuca estudou o assunto. Porém, estudou uma paixão que nunca entenderei: A virtuosa arte arcana. Desde pequeno sempre se fascinou com Carthalas, e quando o mesmo faleceu, no inverno de 64, Phelsan se entristeceu por completo, acho que ele tinha esperanças de um dia vir a aprender algo com ele. Bom, ao menos lhe demos um rito de passagem dos mais belos que já presenciei, com direito a menestrel de Berdusk e coral do Forte da Vela. Carthalas foi enterrado no topo da colina, num local sagrado, onde o mal não cresce.


Assim era nossa vida, normal, em nosso santuário, uma rotina fantástica, com a efeminação de todos os deuses.

* * * * *

A verdade é algo que o mortal não pode se distanciar. Principalmente fechar os olhos para ela. Assim vivi, fingindo que uma de minhas maiores obrigações não existia, ignorando totalmente o fato, de que um dia, algo poderia acontecer, me convencendo a não saber o que existia embaixo de meu lar, do lar de Oghma. Perdoe-me ó Deus Sábio, lhe suplico força e coragem para redimir-me de meu erro, faça que meus olhos enxerguem a verdade de trás das sombras, faça com que eles encontrem Phelsan... vivo.

* * * * *

De fato, a ignorância de minha atitude, culminou quando o santíssimo Alto Mestre do Conhecimento Tessen, no fim
do Inverno de 1369, entrou pela porta da capela com um homem ao seu lado, um arcano. Enviado por Mylon, chegava o homem que iria revelar o assunto que deixei de lado. Farlack, sujeito único, singular. Exótico como a maioria dos arcanos, ele vestia um robe enorme tingido de preto, verde musgo e azul marinho com adornos dourados e uma capa, aparentemente de pele de cabra, tingida em púrpura, que o protegia do frio. Carregava um cajado feito de marfim com um jade no topo, diversos anéis nos dedos, um colar muito grande dourado, com um estranho símbolo solar no centro. Um típico Chodathan, pele branca, magro, meia altura, cabelos e olhos pretos. Rosto fino, cabelo um pouco revolto curto, com um pequeno cavanhaque, voz macia e precisa. Um homem seguro, e de poucas palavras, Mestre Tessen deu total autonomia a ele. Farlack estudou há capela por 2 dias antes de descer. Seus objetivos pessoais eu desconheço, aliás, as únicas coisas que soube sobre ele, é que era seguidor da Senhora da Arte e que tinha chegado a Kheldrivver sem transporte, caravana e equipamentos, carregava apenas algumas bolsas. Mestre Tessen havia incumbido ele de retornar com as escrituras e deu a ele o antigo pergaminho de Carthalas. Phelsan conversou algumas vezes com Farlack, interessado em seus, aparentes, fortes poderes arcanos, mas o arcano estava bastante focado em seu trabalho e apenas conversou amenidades com o jovem sacerdote. Lembro-me dele ter falado sobre ovelhas e que já teve uma criação de sapos. No dia 23 de Ches do Ano da Manopla, Farlack quebrou o lacre, e desceu ao porão, entrando nas sombras sem nenhuma iluminação. Farlack nunca retornou.

* * * * *

Estações se passaram, e agora, vendo as portas do outono, minha estação favorita nessas terras, me sinto totalmente envolto por essa história, pelos meus erros, e pela serie de fatos que começaram a acontecer na Capela da Pena. Eleint esse ano, não trouxe apenas a chegada do outono, trouxe também, toda a minha irresponsabilidade como sacerdote, mentor e pai.

* * * * *

O santíssimo Alto Mestre do Conhecimento Tessen, adoeceu, um pouco antes do festival de verão. Excêntrico como sempre foi, não permitiu que nenhum clérigo o visse, e ficou aos cuidados de um parente seu que acabara de chegar, seu primo Olaf. O mesmo informou que o alto sacerdote haveria pedido para que ninguém interferisse em sua saúde e que ele seria seu porta-voz durante esse tempo.

* * * * *

Ao cair da noite, no inicio do desvanecer, eu e Phelsan jantávamos na Capela, e conversávamos sobre as decisões do Abade Tharlas sobre a relação do monastério com a comunidade. Phelsan, então, começou a puxar assunto sobre o porão. Ele quase nunca fazia isso porque sabia que eu ficava irritado. Mas o vi assustado:

“Senhor Marcus” disse Phelsan. “Devo lhe contar algo. Ontem após limpar o altar, vi a luz do crepúsculo bater sobre o vitro do Senhor Deneir, e fez aparecer um estranho vulto, partindo de um dos bancos para a fonte de água benta. Por hora achei que fosse algum garoto, que havia ficado após a missa, querendo me pregar uma peça. Mas quando cheguei ao local não havia nada.”
“Sua imaginação sempre foi fértil Phelsan” respondi.
“Sim, eu sei, mas desta vez foi diferente, o vulto pareceu vir do vitro, foi muito rápido.” Seus olhos se arregalaram com ênfase em suas palavras.
“Realmente a combinação de luz e sombra e verdadeiramente uma arte, totalmente aleatória.” Disse eu, com a certeza que Pheslan, estava a tempos procurando uma desculpa para investigar o porão.
“Mas senhor, o vulto se mexeu, muito rápido.” Continuava o jovem sacerdote com euforia.
“Primeiro achei que alguém estava atrás do vitro, depois achei que estava dentro.”
“Talvez algo estivesse atrás da janela, e com o movimento a sombra se projetou para dentro, como um pássaro, por exemplo.” Respondia já com um tom meio irritado.
“Mas eu fui até o lado de fora, e não havia nada.” Insistiu Pheslan.
Então eu dei o ultimo gole no meu copo de vinho, terminei meu pão e disse: “Bom, então definitivamente era apenas a luz do por do sol, contrastando com os dois vitros opostos.” Finalizando o assunto conclui. “Agora chega desse assunto, esta na hora de nos deitarmos, amanha temos um longo dia, cheio de compromissos.”
Ambos fomos aos nossos aposentos dormir. Phelsan podia ter espírito aventureiro, espirituoso e confrontador, mas tinha virtudes muito bem definidas como respeito e obediência.

* * * * *

Dois dias passaram e Phelsan não disse nada mais sobre os vitros. Ele estava quieto, e lento com suas obrigações. Eu sabia que tinha que conversar com ele, mas eu estava muito ocupado... Na noite desse mesmo dia, após termos nos recolhidos, eu ouvi um estranho barulho. Eu ainda não havia dormido, pois estava lendo em minha cama quando ouvi um ruído, como se um pedestal tivesse atingido o chão rochoso. Coloquei o marca-páginas no livro, levantei-me, peguei minha lanterna, e fui até a sacristia. Quando caminhava pela Capela ouvi um outro barulho, dessa vez parecia vir do lado de fora, porém era uma barulho diferente, talvez alguém estivesse batendo na porta. Fui até ela, e não havia ninguém, os pedestais estavam no lugar que lhes cabia, me tranqüilizei, e quando me preparava para voltar à cama o som veio de novo. Algo parecia arranhar as paredes rochosas da Capela, e de pronto, parou. Rapidamente, segurei meu símbolo de Oghma, fui ate os aposentos de Pheslan e o acordei:

“Pegue uma luz” recomendei com um sussurro.
“O que foi?” respondeu o sacerdote sonado.
“Pegue uma luz”
Fomos até a sacristia novamente, olhamos ambos os vitros, Pheslan segurava uma vela, que enquanto derretia queimava sua mão com a cera que caia. Não vimos nada de incomum. Phelsan assustado, perguntou novamente:
“O que foi? Por favor, senhor, me conte.”
“Pensei ter visto algo” Eu disse com cuidado – dando uma olhada ao meu redor.
“No vitro?” Perguntou Phelsan com um dos sussurros mais altos que já ouvi.
“Acho que sim” retruquei. Olhei para Phelsan, vi seus olhos cheios de perguntas.
“Eu não tenho a menor idéia meu filho.” Coloquei a mão em seu ombro, dei uma última olhada em volta e caminhei Phelsan até nossos aposentos.
“Oghma nos preservará, nada de mau pode acontecer em sua casa.” Eu disse. “Podemos não entender, mas sabemos que ele entende, porque nenhum segredo lhe é escondido. Além do mais, enquanto os suspiros da noite são bastante amedontradores, a luz da manhã sempre bane o medo que eles trazem.” Pheslan sorriu e voltou a sua cama, logo após isso eu fiz o mesmo.

Na manhã seguinte eu pratiquei quase todos os rituais de purificação e banimento que conheço, praticamente renovei toda a capela, e pedi ao Abade Tharlas, além de reportar o acontecido, que me cedesse um guarda para ficar rondando a Capela durante a noite. O resto da tarde, eu passei cumprindo minhas obrigações. Quando a noite caiu, fui me deitar, mas logicamente, o sono não veio. Como na noite anterior o vento vinha do norte, eventualmente fazendo barulhos quando passava pelos grilhões que existem nos muros de madeira. Um pouco assustado, decidi ir até a sacristia para dar uma olhada nos vitros. Peguei minha lanterna e fui até a porta da capela.


Nervoso e atento, eu olhava para todos os lados, sem nenhum sono passei alguns minutos na abadia da capela apenas observando a luz de Selune que entrava pelos vitros, quando de repente, uma sombra passou por de traz do mesmo. Só que dessa vez tinha sido pelo vitro de Oghma. A Sombra era grande suficiente para ser um humano, imediatamente pensei que poderia ser o guarda, então rapidamente sai e fui observar.


O lado de fora estava estranhamente quieto, a luz de Selune, cheia, oscilava com as inúmeras nuvens que passavam sobre ela. Não encontrei o guarda e achei que ele podia ter fugido de seu dever, e ido até a Estalagem do Nariz do Troll. Irritado, e já insatisfeito com o meu medo sem nenhum fundamento ou fato, eu andei em direção a Capela.
Então eu ouvi um grito. Eu corri pra dentro do santuário, a luz da minha lâmpada quase se apagara com o vendo do ar gélido que pairava sobre a noite. Olhei diretamente pra dentro da abadia e gritei:

“Phelsan.” Sabia que o grito era dele. Minha voz era engolida pela escuridão vazia do local. Como eu me tornei tão medroso de meu próprio santuário, meu lar.
“Phelsan, menino, onde está você?” Nenhuma resposta veio.

Olhei diretamente para os vitros, a nuvem passando por Selune junto com meu nervosismo e medo, não me permitiam diferenciar real do imaginário, não sei se o que vi foi um vulto ou uma sombra.


Sai novamente e corri em direção ao estábulo do monastério, gritava em desespero.
“Phelsan, Phelsan, Guardas, Guardas.”
Ninguém respondia. Chegando ao estábulo encontrei o cocheiro Jonh, pedi que ele chamasse os guardas e corri de volta a Capela. Suplicava a Oghma por ajuda.


Entrando novamente no santuário, com meu corpo tremendo e suando numa noite fria, fui direto até a porta do porão, sabia que a curiosidade de Phelsan podia ser maior que sua obediência, mas ao mesmo tempo, não imaginava que ele estaria ali, pois o lacre não havia sido quebrado. Mas foi ai que me surpreendi. A porta para o sótão estava aberta, mas não havia iluminação no porão. Retornei a meus aposentos, e fiquei por um momento indeciso. Foi quando decidi. Iria descer e ir atrás de meu filho.


Então, comecei a escrever essa missiva. Estranhamente acho que os guardas estão demorando muito. Temo que algo tenha acontecido a Jonh. Mas eu não tenho mais tempo, cedo ou tarde alguém chegará aqui, então terei tudo por escrito. O que me deixa livre para ir atrás de meu filho.

Nessas poucas folhas de pergaminho eu coloquei a minha história. Agora que terminei, me preparo para descobrir o que há embaixo do porão. Agora sei que a verdade, é que de fato, existe algo a ser descoberto lá em baixo e algo que deve ser trazido de volta; Phelsan.


Com minha maça em punho, lanterna guiando meus olhos e símbolo sagrado em meu torso, lhe imploro; ó Senhor de tudo que é conhecido, proteja-me do mau, e ilumine meu caminho.


Eu estou pronto...


domingo, 21 de junho de 2009

Time Travel - Parte 1


13 de Mirtul de 1370 Year of the Tankard

Athkatla, Capital de Amn.




O inverno que ainda assola boa parte de Faerûn já não se faz presente na Cidade da Moeda. Ou já se expande no horizonte azul como o lago Esmel, a temperatura se eleva, tornando o tempo perfeito para o florescer de tons pastel que as flores Amnianas trazem com a chegada da primavera. O vento levou o frio embora, e com ele a paz.

Com o Maximo esforço, o Conselho dos Seis, junto com a ajuda indireta dos Ladrões das Sombras parecem estar a beira de uma falha, um erro, uma facada no cotidiano ideal de um Amniano. Os dois zeladores da “paz” procuram saídas para que seu tão mercantil país não precise usar seu singelo braço armado, e mergulhe na guerra contra os feudos Tethyrianos.

No inicio deste ano, duas cidades ao sudeste de Amn, Riatavin e Trailstone, irritadas com o descaso que o conselho direciona seus tributos, se juntaram e decididram, apoiados pela imensa maioria de suas populações, que ambas não fariam mais parte de Amn. Em uma reunião, seus dois representantes se juntaram e escreveram uma petição a Nova Rainha de Thethyr, Zaranda, para que o país feudal tomasse posse das cidades. Enviaram também um comunicado ao Meisarch notificando a vontade de emancipação.

De imediato, o Meisarch, como o maior representante do conselho, enviou um arbitro a Riatavin para encontrar-se com uma Lord Tethyriana, e um acordo fosse assinado. As
negociações falharam, então Amn ameaçou Tethyr dizendo que se abraçasse as duas cidades, todas as rotas de comercio entre os dois países seriam bloqueadas. Tal notícia trouxe muita irritação A Rainha Zaranda, que de imediato, decidiu que Riatavin e Trailstone, farão parte de Tethyr.

A eminente guerra, quase parece inevitável, mas mesmo assim ambos os povos desconfiam. Tethyr acabou de sair de uma guerra civil de anos, e Amn é um pais pacífico, a guerra espanta os mercadores e atrapalha o comércio.

Em meio a todo esse cenário envolto pelas belas flores da primavera, uma vistosa embarcação, cruza o Mar das Espadas e atraca no grande porto da Cidade das Moedas. O Espírito Bucanero (conhecido pelos seus tripulantes como o Craca) traz seu capitão, Colt, que com todo sua rustidez consegue segurar a emoção de mais uma vez estar pisando no solo que durante muito tempo chamou de casa.


***********************************************


Capitão Colt, hoje um homem de posses, trouxe seu "bom e fiel" amigo inseparável, o elfo mais impar de toda a Faerun, o incrível Laramil. Desta vez ambos estão acompanhados de novos companheiros, que foram de grande ajuda na grande batalha da Estalagem do Caminho, onde os grandes heróis triunfaram.

Ezith Star, um Humano que mistura todos os seus conhecimentos de vida em seu estio de combate, apareceu na Estalagem, acompanhado dos famosos Hell Riders of Eltruel, e de um astuto, talentoso e pequenino arcano, chamado Twinkle. Ambos se juntaram a tripulação de Colt, e viajaram pelo Mar das Espadas, em busca de novos ares, que só os horizontes distantes poderiam oferecer.

Após viajarem por meses, o capitão, dominado pelo desejo de retornar a casa, decidiu que partiriam para Athkatla, passando antes por Portão de Baldur's, a pedido de Laramil, para livrar-se de antigas pendências.

No caminho, quando passavam pela ilha de Mintarn, a fim de abastecer o Craca com o rum Espírito Bucaneiro (nome que deu origem ao real nome do Craca), um robusto anão, em uma taverna local, chamou bastante a atenção do grupo. A visão de presenciar uma pequena criatura derrubar sete homens, usando apenas mesas e cadeiras, impressionou o capitão e entusiasmou Laramil. Ambos se lembraram de seu velho e saudoso amigo, Bruedar Belfardim of the Mithral Hall. Depois de algumas canecas de rum, boas risadas e ótimas historias, o anão Horion Onion juntou-se ao Espírito Bucaneiro e zarparam para Amn.

Enquanto isso, n
o ducado de Daggerford, o senhor Rion Donovan levantava, com a ajuda das tropas locais, a sua pequena capela. Um sonho que se materializava pelas mãos de suas crias; garoto (que agora atende pelo nome Bruedar, em homenagem ao finado amigo) e Mirian que em breve será o novo mentor de Bruedar. Rion ainda teve a felicidade de ver sua capela pronta, antes de seu retorno a Cidade dos Esplendores, desta vez, para um propósito mais Glorioso. Sua passagem de Padre para Juíz.

Garrick, ou simplesmente Gary, após longo período ausente dos sussurros que espalham as lendas nos reinos, reaparece. Por meio da arte, enviou mensagens a Colt e a Rion, pedindo para que encontrassem ele em Athkatla, Amn no dia 15 de Myrtul de 1370. Aparentemente, alguns assuntos discutidos no Festival da Lua, estão para recomeçar.



***********************************************


No dia 13 de Myrtul, o Juiz Rion Donovan, adentra as muralhas da Cidade das Moedas, procurando após exaustiva viajem seus queridos amigos de batalha. Sua presença nas ruas da cidade traz surpresa a população, que observado-o de longe e sentindo sua aura de bondade e justiça, sussurra entre os becos, esperando próximos dias de justiça ou de problemas.

Já atracado no porto de Athkatla, Capitão Colt, que não havia avisado seus companheiros sobre a mensagem de Gary, vê, do alto de seu navio, o pequeno meio-elfo adentrando o porto da cidade. Laramil, surpreso pelo inesperado encontro, não consegue conter a emoção e correu em direção ao mestiço e para receber-lhe com um carinhoso abraço. Gary então cumprimenta a todos e não consegue esconder o sorriso em seu simpático rosto ao rever seus amigos. Sem perder tempo, Laramil, juntamente com Twinkle, começa a jorrar inúmeras perguntas ao capitão, querendo saber por que ele disse que só iriam ali para um reabastecimento. Colt retruca com deboche e sarcasmo. Então, por uma coincidência de Tymora, todos são surpreendidos com a chegada do Juiz Donovan. A luz do Sol reluzindo em sua brilhando armadura sagrada, trazia a bondade, justiça e determinação, que se juntaram ao seu sorriso de canto de boca, não conseguindo manter a seriedade que a etiqueta de um juiz/padre recomenda. O lado humano de Rion aflora quando recebe o mesmo abraço que Gary recebeu, Laramil está realmente feliz por ver seus amigos mais uma vez, e irrequieto já convida todos a Five Flagons Tavern, para tomarem umas cervejas e conversarem.

Amigos reunidos em torno de uma mesa regada a Cerveja e Truta com batatas, relembram as vitórias que cada vez mais jazem no passado e contam suas trajetórias durante o longo inverno que passaram separados. A harmonia da mesa só foi quebrada, por um “leve” desentendimento entre Colt e o pequeno Twinkle, que não aceitou o apelido de Sininho, que o Capitão “carinhosamente” havia colocado.

Colt, demonstrando que apesar de hoje ser um homem de posses que deixou velhos preconceitos para traz, ainda parece carregar sua ansiedade junto com ele. Então sem rodeios, pergunta diretamente a Gary do que se trata a reunião. Gary, ao contrario de Colt, e aparentemente, mais devagar do que antes, faz bastante rodeios antes de começar a explicar a atual situação de Amn. Laramil, sempre atento, percebe que o grupo está sendo observado, então com certa descrição, o grupo decide continuar a conversa no Espírito Bucaneiro.
Colt a fim de fazer uma brincadeira com o irritado Twinkle, pede a seu primeiro imediato, que barre a entrada do halfling no navio. Twinkle leva a brincadeira a sério e parte furioso pra estalagem. O grupo reunido no Craca, com a exceção de Twinkle, começa a ouvir Gary, que lenta e pausadamente conta o motivo da convocação.

Gary, auxiliado por Rion, explica a atual situação de Amn, seus problemas políticos que estão quase aflorando em algo mais agressivo. Seu discurso lento e pausado, criou muita ansiedade e irritação na reunião, principalmente da parte de Laramil e Colt, que não entendiam o que eles tinham a ver com todo aquele cenário. Após longos rodeios, Gary, começa a falar do passado, mas precisamente o período entre 1366 e 1368, os anos que supostamente o Farlack esteve desaparecido após ser punido pela igreja de Mystra e expulso da escola arcana de Waterdeep.

Tudo começou no Festival de Verão de 1369, quando todos conheceram Dorin e seu imenso e comovente drama. Após quase um ano de busca pelo misterioso Farlack, as conclusões são muito poucas, só superam as pistas de seu paradeiro, que se baseiam em um ultimo e único contato visual com Laramil.

Ex-aluno de Aglamir o Barba, amigo dos pais de Dorin e ilustre arcano nas Terras Centrais do Ocidente, foi banido e punido pela igreja de Mystra no inicio de 1366, pelo porte em segredo de um item da velha Netheril e fazer pesquisas mágicas proibidas pela senhora da arte. Hoje a igreja sabe que foi enganada no passado, e que o velho item recuperado era apenas um item corriqueiro e sem importância. A igreja garante que ele porta outros itens, por isso, ela o procura incansavelmente, e desta vez, para puni-lo pela blasfêmia mais grave, a violação das regras da Waeve.

Mas isso não faz de Farlack, um assassino, um louco, um cultista maligno ou um necromante alucinado. Pode ser que seja mais um mago sedento por poder, coisa que a cada ano que passa parece ser mais comum nos reinos. Mais uma coisa é inegável, Farlack mudou bastante nos ultimo anos. Mantém relações de amor e ódio com organizações como o Culto do Dragão, os Zentharins e a Igreja de Velsharoon. O grupo descobriu que varias dessas organizações o procurava freneticamente, o que levou o grupo a pensar que ele fugia delas, mas a trilha de Farlack é contraditória, e muito misteriosa. O que ele pretende ninguém sabe. Porém, Laramil, como toda sua habilidade em fazer um elfo se igualar a um orc em aparência, comportamento, cheiro e raciocínio, conseguiu talvez uma das provas mais importantes. Devido a descrição dada por Dorin e pelo diário do padre Marcus de Ogmha, Laramil reconheceu Farlack, e o reconheceu na hora mais importante, na batalho da Estalagem do Caminho. Laramil viu, com seus próprios olhos, Farlack entregando papéis a seguidores de Velsharoon e do Culto do Dragão durante a batalha, sumindo em seguida em um portal criado por ele mesmo. Dias depois, após uma curta batalho com um misterioso arcano que surgiu do céu, e sumiu como o pó após uma corrente de relâmpagos, Laramil viu Farlack novamente, desta vez muito machucado, entrando em um portal aberto em um largo espelho num acampamento no campo de batalho. Em discussões com o grupo após a batalha, chegou-se a conclusão que Farlack entrou em Sigil, uma cidade em outro plano de existência que é conhecida em ser a porta para qualquer lugar do universo.

O grupo hoje chegou a conclusão, que Farlack fez trocas com esse grupos e pode ter feito pactos com diferentes planos de existência como os Nove Infernos, onde vivem os Baatezus que participaram da batalha.

Ao mesmo tempo, um ódio, muito provavelmente recíproco, criou-se entre as duas partes. Alguns do grupo, como Laramil e Colt apenas guardam rancor, pois foram as alianças de Farlack que mataram pessoas queridas como Evander e Bruedar, logo buscam vingança. Gary o procura por dever a igreja de Mystra, pelas perdas de seus amigos e pelo dever perante a seu mestre Aglamir. Rion busca justiça, e procura punir Farlack, que após o episodio do Mosteiro em Daggerford tornou-se mais que um simples herege, tornou-se um inimigo da igreja de Tyr. Por outro lado, Farlack deve odiar todos eles pelos estragos que causaram a seus desconhecidos planos.

As conclusões são que após todo esse tempo de busca, Farlack continua sendo um mistério, e o grupo, uma sombra cansada que anda, meses, anos atrás dele.

Por isso Gary reuniu o grupo. Por que o que todo mundo achou que estava no passado (na verdade quase todo mundo, pois Gary nunca parou de buscá-lo), volta a atormentar a cabeça de todos, porém agora muito mais poderosos e em maior número.

Gary revelou sua investigação dizendo que Farlack esteve se escondendo em Amn entre 1366 e 1368. O estudioso meio-elfo tem alguns contatos com quem pretende começar uma investigação sobre o que aconteceu durante esses dois anos, quais eram os itens proibidos que ele possuía e principalmente o que ele pretendia. Gary crê que Farlack foi fortemente ajudado pela igreja de Cyric nesta época e assumiu muitas identidades diferentes nas cidades.

Mas a pista mais reveladora para Colt, foi um dos contatos que Gary quer procurar. Willick, antigo capitão do desbravador, navio que foi durante anos a casa e a escola de Colt. Aparentemente, Willick e Farlack (pelo nome de Larckaf) fizeram comércio durante uma caravana que ia de Kezculla a Esmeltaran. Hoje Willick vive em Esmeltaran e está casado com a mãe de Colt.

O Capitão decidiu imediatamente que partirá para Esmeltaran, despachou sua tripulação para cuidar do Craca, e começou a planejar a viajem. Todos presentes concordaram em participar, mais ainda falta conversar com o Twinkle, que ainda está magoado com a pequena brincadeira de seu capitão.


***********************************************


Rapidamente, eles fazem um planejamento de viajem e chegam a conclusão que entre Athkatla e Esmeralthan eles levariam por volta de 25 dias. Então decidem ir até o gigantesco mercado local (Wauken’s Prenomade) para comprar os suprimentos para a jornada.

Enquanto cada um comprava aquilo que necessitava para a viagem, Gary foi abordado, em uma das áreas altas do mercado por dois homens encapuzados. Eles se aproximaram calmamente e de forma discreta começaram uma conversa, afirmando que ele era quem eles procuravam, era aquele que luta contra as sombras. Falando em visões, pressentimentos, profecias e destino, os homens que revelaram-se ser dois ciganos, falaram sobre a ameaça das sombras, que cobre todo o pais. Segundo eles, o Príncipe das Mentiras, alimentado e fortalecido por aquele que o engana, faz as trevas escurecerem Amn, colocando a luz em perigo. Os Ciganos, com um discurso enigmático, construído apenas por possibilidades e interpretações, citam a toda momento o nome de Hoar. Eles se apresentam como Gurevich (Um humano, bem forte, loiro, de olhos claros, com o rosto coberto por cicatrizes, que carrega uma imensa espada curvada nas costas) e Farder Coram Faa (Também humano, esguio, com uma voz suave e gentil). Ambos usam vestimentas característica dos ciganos.

Gary, inquieto, pergunta por que o procuraram. Como ficaram sabendo de sua existência. Então Gurevich explica que ele tem visões sobre o futuro e pede para jogar uns signos para ver o futuro do mestiço. Com a permissão de Gary, Gurevich faz sua feitiçaria e diz que realmente ele luta contra as sombras, e que o futuro de ambos esta entrelaçado. Farder mais calado, apenas insere palavras fortes em relação ao destino nas frases de Gurevich, ambos trocam olhares o tempo todo. Gary um pouco confuso, decide levar os dois ciganos para um conversa com Rion, e diz a eles que os levara até um homem santo.

Mais tarde, na estalagem, Gary conversa com Rion que é apresentado aos ciganos, e em uma conversa parecida com a que eles tiveram com Gary. Rion então decide levar ambos ao Craca, para que juntos possam conversar melhor, entender tudo aquilo que eles acreditam e decidir se eles devem se juntar ao grupo.


***********************************************


Capitão Colt, retornando com os suprimentos a seu querido barco, vê de longe, seu grande amigo Laramil, debruçado na beira da embarcação com um aparato, de custo bastante elevado, voltado contra seu olho e com um sorriso estampado em sua face. Reconhecendo de imediato a luneta, Colt corre em direção a Laramil, a fim de descobrir onde e como, segundo palavras do próprio colt, aquele miserável, filho da puta, conseguiu dinheiro (ou roubou de alguém) para comprar aquele aparato. Laramil, serelepe com seu novo brinquedo, explica a Colt que comprou no mercado, e que foi uma pechincha. Colt revoltado, imaginando alguma futura confusão que Laramil poderia estar arrumando, quase quebra a luneta, mas se controle e acaba direcionando sua preocupação na jornada que está por vir.


***********************************************


Um pouco mais tarde, Rion e Gary, chegam ao Craca com Gurevich e Farder. Eles são levados até a sala de jantar do navio, onde se encontram com Colt. O Calashite, mal humorado, fica enfurecido quando vê os ciganos, que de imediato diz que não quer esse tipo de corja suja em seu navio. Farder, tenta ponderar, dizendo que ele não precisa temer uma coisa que ele não entende, e que ele não deveria zombar da raça que ajudou vários escravos calashites a serem libertados. O capitão parece estar cego com um ódio, antes desconhecido por seus amigos, e continua a insultar os ciganos. Farder, com uma ajuda mais ríspida de Gurevich tenta ponderar, mas quanto o Capitão dispara a terceira rajada de palavra, Gurevich saca sua espada flamejante, e parte em direção ao Calashite.

A confusão se arma no barco, que dura até Farder cantar uma triste canção, que falava sobre perseguição, racismo, incompreensão e tristeza. De forma surpreendente a música acalma a briga, que é desfeita por Laramil e Rion. Farder chama Gurevich para sair do barco, que atende seu pedindo em silêncio. Os dois são acompanhados por Gary e Laramil. Rion fica na cabine para conversar com Colt.

Fora do barco, Farder, magoado com o acontecimento, diz a Gary e Laramil que as visões de Gurevich devem ter sido mal interpretadas e que eles não devem ser as pessoas que eles procuram. Laramil, tenta com todas as suas forças convencer-lhes do contrario, de forma tão perseverante, que chega a irritar Ezith Star, que olha toda aquela cena de confusão surpreso. Já Horion Onion, não se abala muito, esse tipo de briga era bem comum nos estabelecimentos que ele freqüentava.

Após Laramil insistir demasiadamente, ele consegue ir junto com Gurevich e Farder até uma taverna, ele os leva até a estalagem em que Twinkle está hospedado, e lá os quatro iniciam uma nova conversa. Gary pede que caso eles mudem de idéia, o procurem pela manhã. Na Estalagem Twinkle interage bastante com Gurevich, enquanto Laramil tenta fazer com que Farder entenda que seu capitão, apesar de ser grosso e preconceituoso, tem um bom coração, e sim, é, junto com o resto, as pessoas certas que eles procuravam.

Gary retorna ao barco, e junto com Rion tenta fazer com que Colt de uma oportunidade aos ciganos, mas eles sabem que o melhor a fazer é esperar com que ele esfrie a cabeça, e pela manhã façam outra tentativa. Ezith desiste de tentar apaziguar e junto com Onion vai descansar para a longa viajem. O que um pouco mais tarde acaba acontecendo com todos. Twinkle, Farder e Gurevich dormem na estalagem, e o resto descansa no próprio Craca, esperando que a brisa da manhã, traga junto com a velha estrada que se perde no horizonte, atitudes de paz e harmonia, necessárias para enfrentar o destino que os aguarda.